Você faz o que quer, ou o que eles querem?

POSTADO POR: admin sex, 13 de setembro de 2013

Os Alienígenas malignos de Gliese 581
Ou quando dois extraterrestres roubaram o braço
de um cara na Rua Barata Ribeiro

O ufólogo Jonas Fritz assustou-se com a campainha do apartamento sendo
pressionada de maneira insistente. Quem seria? O interfone não tocou antes, o
telefone também não e ninguém combinou de fazer visita. Olha então através do
olho mágico e, espantado, se depara com dois camaradas magros, brancos, altos e
calvos vestindo ternos pretos; alinhamento federal. – Que diabo é isso aí? – pensou. Andava de um lado para outro e a
campainha continuava tocando. Uma hora decidiu abrir em rompante:

– POIS NÃO, SENHORES! – De tão nervoso soltou um ‘quase berro’, erguendo o nariz.
Um dos caras apenas entregou aquele pequeno envelope azul, selado por
uma estrela dourada. Logo depois os dois partiram sem dizer nada, palavra
alguma. Expressão vazia. Robóticos.
– Mas que droga é essa? Alienígenas…? Será…?!
Estranho… Só podem ser alienígenas.
Abriu o envelope, e dentro dele havia única e fria mensagem: Não escreva mais sobre nós.
– O QUÊ?? UMA PORRA QUE NÃO, SEUS ALIENÍGENAS
CANALHAS! NÃO ESCREVO É?? POIS VEREMOS! A MATRIX NÃO VAI PEGAR ESTE CACHORRÃO
AQUI, CAVALHEIROS. NÃO MESMO!
Sentou de frente ao computador e soltou cinquenta páginas tortas de pura
indignação contra os alienígenas, os mesmos biltres que o abduziram naquele
maldito cafezal em Minas Gerais. Esses eram os grandes pilantras, os humanos “evoluídos”
de Gliese 581 que atuam na Terra ao lado de russos e americanos, e agora dos
chineses também.

Fritz ainda perguntou ao porteiro do edifício se ele não viu uns caras
engravatados subindo mais cedo, porém o porteiro insistiu que a porta só fora
aberta três vezes naquela manhã, e sempre por moradores que saiam.

– Posso ver a câmera de segurança?
– Pode, ué!
Nada… Antes tivesse aparecido algum magricelo passando de fininho na
imagem, esgueirando, sorrateiro… Nada.
– Muito obrigado, Lourival.
– Disponha Doutor.

Lá pelas onze da noite, Fritz publicou o texto “Os alienígenas malignos”
no seu site e depois foi dormir. Em sonho, se viu deitado numa mesa cirúrgica
com vários magricelos de jaleco branco, todos iguais ao seu lado; observavam-no,
curiosos, e ao mesmo tempo, arrancavam pedaços de seu corpo com uma espécie de
cortador iluminado. Com isso acordou berrando às seis da manhã. Mas a surpresa
maior ainda estava por vir: seu braço direito estranhamente já não existia no
corpo. Não havia sangue, nem sinais de corte, apenas o ombro solitário, como se
desde o nascimento sempre estivesse assim.

-AHHHHHHHHHH CARALHO!! MEU BRAÇO! O QUÊ ACONT…??
MAS O QUÊ?? AHHHHHHHHHHRRRGHT!!


Desceu as escadas correndo e mostrou o braço direito ao porteiro, ou
melhor, relatou sobre a misteriosa falta dele.
– Doutor, pelo amor de Deus se acalme, o senhor
nunca teve esse braço aí não!
– COMO NÃO?? EU SEMPRE APERTEI SUA MÃO COM A
DIREITA!! DROGA, LOURIVAL, EU SOU DESTRO; OS ALIENÍGENAS ROUBARAM O MEU BRAÇO
DE ESCREVER!!
– Olhe Doutor, tente se acalmar. Eu tenho um
primo que é assim também, às vezes acorda esquecido, com a cabeça meio
tumultuada, nervoso… e é normal, viu? Deve ser falta de descanso ou de
vitaminas.
– TÁ LEGAL, puta que pariu setenta vezes, tá
legal, tá legal, tá legal, tá legal… OH MEU DEUS!
– O cara tentava se acalmar, mas sempre que via o ombro solitário
soltava dois palavrões ou chamava ajuda celestial, parecia mesmo protagonizar
um filme de terror, basicamente estava equilibrando aquilo tudo por um sofrido fiapo
de sanidade. Correu em busca do velho álbum de fotos para ver o seu braço
direito, e lá estava ele… Sem o maldito braço direito! Desde o berço, apenas
o bracinho esquerdo pendurado e o ombro direito sozinho. Berrou assustado, desmaiando sobre
as fotos.

Ao acordar, com baba pelo rosto colado sobre o álbum de fotos, cara inchada de quem chorou um rio, percebeu que os dois braços estavam no lugar, e as fotos, exatamente
como eram antes. Sobre a mesa da sala outro bilhete:

Você vai escrever apenas o que for autorizado por
nós. Tudo bem?
– Sim, sim, mil vezes, sim!!! Obrigado, cavalheiros, muitíssimo obrigado!!
Eu nem quero mais escrever as verdades do mundo, só quero ter dois braços numa
jaqueta e uma mulher que me ame.

Atualmente, Fritz segue escrevendo ficção científica, romance, e fantasia. Mas,
ainda assim, seus originais são enviados primeiro para Gliese 581, onde são
melhores adaptados para o frágil público terrestre, dentro
dos anseios e interesses da grande cúpula maligna extraterrestre.

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