Minha namorada não quer partir

POSTADO POR: admin ter, 15 de outubro de 2013

Amanda não vai embora
Sentada no sofá, acaricia seus lábios.
Levanta sua perna esquerda que apoia com seu pé. Seu joelho vem parar perto de
seu queixo. Com a mão direita, faz caracol em seu cabelo, só por arte, para
deixar cair o rolo feito de quando em quando.
Seus olhos são como uma imensidão perigosa.
Um lago parado e profundo que cintila o que você não alcança ver. Neles existe algo
que me deixa a pensar em seu significado. Viceja um ar por entre os dois que
nunca desvendei.
Meus pensamentos mandam meus olhos para seus
lábios e vejo mel. Distribuídos para fascinar e fazer mal. São de um tamanho
que de discreto nada tem, de tanto que chama outros. 
Beber deles é encontrar um
mestre para todo sempre.

Eu a amei com todas as minhas forças. Não
tenho ideia de por que aconteceu. Em minha mente não havia problema. O pior de
tudo é a certeza de nunca saber a verdade. Não é justo! Agora penso mil coisas
e só passo mal por conta de tal silêncio.
Pensei em fazer o mesmo. Talvez seja minha
única saída. Algumas coisas escolhem a gente. Não dá para controlar tudo
sempre! Em algum lugar eu me perdi, porra! Minha cabeça está uma bagunça, meu
cabelo desgrenhou, minha barba cresceu.
Quando a encontrei, esmagada, na calçada do
prédio, entrei em choque. Ela me sacaneou cara. Nunca disse nada. A gente ouvia
música na sala. Eu ainda estava melecado por conta do sexo que fizemos. 
Ela
simplesmente se levantou e se jogou da sacada.

Se ela queria ir, por que não disse? Decidiu
e fez! Compreendo que quisesse partir. Eu não a seguraria aqui. Nunca agi como
seu dono. Se, queria sumir, tinha de simplesmente, dizer; mas suicidou-se em um fim de tarde, quando o sol se enterrava. 
“Então por que continua aqui? No mesmo
sofá. Fazendo o que sempre fazia?”
.

Quando conto o que vejo, escuto que sou
louco. Aumentam os miligramas dos meus remédios. Esquizofrenia, dizem sempre,
quando louvavelmente pensam em me diagnosticar e tratar. Eu os odeio! Mas compreendo
que é muito mais fácil me chapar de medicamento que mandá-la embora.
“Covardes!”.
Amanda pulou do vigésimo andar. Ela me fodeu
na vida. Mesmo assim está presa em sua própria liberdade. Em seu suicídio! Eu a
vejo no mesmo sofá. A mesma de sempre. “Amanda é uma alma penada que não vai
embora nunca”.

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